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Vamos atirar uma bomba ao destino

Não somos de nos contentar com o que o destino reserva para nós. Sonhamos alto e frequentemente caminhamos fora da estrada.

1 ano. Uma eternidade.

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A minha mãe morreu faz um ano: 2 de agosto de 2015. Desde então, não paro de a recordar, de a reviver, de a reerguer. Vivi este ano como se vivesse o anterior em reverso, em negativo, em ausência. Recordo os momentos que foram nossos; cada sorriso, cada gesto. Não tem regresso. 

A sua morte foi num domingo. Aconteceu depois de duas semanas de sustos, medos, agravamentos. Antes, ela estava magnífica nos seus 55 anos, feliz, astuta, despachada, espalhando boa disposição. De repente, tudo mudou. Houve uma dor e o que se seguiu. Antes, ela estava intacta. Nessas semanas, foi sendo, atingida, abalada, deteriorada. De lúcida passou a demente, depois a um corpo estático suportado por máquinas. Piorou, piorou sempre. Foram dias e noites de ansiedade e de espera, de aflição e de desespero. Todos os sinais foram previstos, examinados, interpretados. Todos os momentos foram guardados, retidos. Nesse tempo, eu e eles vivíamos nos hospitais. Mesmo quando lá não estávamos, era lá que estávamos. Não nos deitávamos sem telefonar para saber. E, assim que nos levantávamos, era para o hospital que telefonávamos para saber mais. Mesmo em coma (induzido), ela apercebia-se do nosso cuidado, da nossa insistência, da nossa obsessão; das nossas palavras, do choro delas.

A última vez que a vi acordada estava tão descontrolada, pedia a Deus para "a levar" e chegava mesmo a pedi-lo a nós. Arrepiante. A partir daí, vi-a sempre no centro daquela sala, dos cuidados intensivos, deitada como que morta, sob o olhar permanente dos médicos e enfermeiros. 

Naquela manhã, o telefone tocou, a minha irmã atendeu...e o temido aconteceu. Não resistira ao pós operatório, de mais uma cirurgia a que fora submetida. 

Agora, vivo num tempo sem ela. Neste tempo sem ela, a sua ausência mortifica-me. Mas, às vezes, parece estar tão presente como antes porque nunca se esquece quem se ama. Nunca se esquece uma MÃE.

Todos os dias são novas oportunidades de sorri, de rir, porque sei que ela está lá, junto Dele, a olhar por mim, por nós. 

 

 

 Nobody said it was easy
It's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard


Oh, take me back to the start

                         Scientist, Coldpay

 

 

 

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