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Vamos atirar uma bomba ao destino

Não somos de nos contentar com o que o destino reserva para nós. Sonhamos alto e frequentemente caminhamos fora da estrada.

Laura Palmer - Capítulo 16

 

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CÁPÍTULO 16

- Ou estás mesmo cega ou então não queres ver! A forma como ele olha para ti… É ÓBVIO! O Mateus gosta de ti! - dizia-me Valentina no caminho para o dormitório.

- E não podes negar que também sentes algo por ele, porque isso também é óbvio! - completou Rita.

- Não vou falar da Val e do Lourenço porque, está óbvio, não é, mas então e o André, Rita?! - tentei desviar o assunto.

#goalfulfilled

- Não. - Rita respondeu muito segura - Eu e o André somos só amigos. Amigos de infância. Crescemos juntos, mas o ano passado os pais dele tiveram de se mudar. Mas mantemos contacto e continuamos a dar-nos bem.

Oooh

- Não tens nem uma crushzinha nele?! Isso acontece às vezes…

- Sim, acontece, nos livros Laura! - Rita constatou e todas rimos - Não, não tenho, sinceramente, e também não me apetece ter.

A mim também não me apetece, mas olha, Mateus!

- Rita, rapazes são a melhor coisa do mundo, como não olhar?! - Valentina perguntou, ela fixava Rita muito séria.

- Eu não disse que não olhava! - Rita apressou-se a explicar - Mas só olho mesmo… Valentina ia dizer mais qualquer coisa, mas eu interrompi:

- São escolhas! Eu acho que fazes bem Rita, e gostava muito de ser como tu, mas infelizmente…

- Mateus! - responderam as duas raparigas em uníssono enquanto entrávamos no dormitório, às gargalhadas. Carolina era a única que lá estava.

- Meninas, vocês de que tanto se riem?! - ela perguntou enquanto se dirigia a nós, que ocupávamos a cama da Val e a minha.

- Diz-me, Carolina, - começou Val - depois de nos conheceres, o que achas e aprendeste e viste sobre nós?! - Carolina deu uma pequena gargalhada:

- Bem, vocês são super engraçados e muito agradáveis, sinto-me bem perto de vocês! Aprendi que o David não tem papas na língua, mas dá-se bem com todos, a Valentina e o Lourenço, é óbvio, não é?! - Nós rimos.

- Muito, já percebi! - foi a resposta da Val, acompanhada por um revirar de olhos.

- O Daniel e o David dão-se super bem - continuou Carolina - e a Laura e o Mateus também! Vocês são namorados?!

- Não! - respondi.

Apercebi-me que Marta entrava pelo dormitório a dentro quando ouvi a sua gargalhada cavernosa. Ficamos as quatro a olhar para ela, até se sentar na cama, ainda com um daqueles seus sorrisos nos lábios.

Voltamos então a nossa conversa, como se ela ali não estivesse.

- Achei piada ao André... - disse Carolina, um pouco envergonada. Nós as três rimos e Rita respondeu:

- Está livre! 

As nossas gargalhadas cessaram quando a porta do dormitório se abriu e o drone Barbie-wannabe de Marta apareceu. 

- Ele está aqui. - ela disse para Marta, depois de nos deitar um dirty look.

- Já vou, Júlia. - foi a resposta de Marta.

A rapariga, a Júlia, virou-se depois para nós:

- Os vossos amigos também estão aqui. 

Trocamos entre nós alguns olhares de dúvida. Eles estiveram o jantar inteiro a falar de um jogo de futebol qualquer da liga espanhola, nós estavamos aborrecidas, então decidimos vir para o dormitório.

Não esperavamos era que eles viessem atrás de nós...

Levantamo-nos todas, Marta inclusivé, e dirigimo-nos à porta. Ela foi a primeira a sair, depois saíu Val, que começou logo a diparatar com os rapazes.

- É, vocês ignoram-nos durante o jantar todo por causa de um jogo de futebol estúpido e depois querem o quê?! Que fiquemos lá a contar moscas?! 

Carolina, que ía à minha frente parou, e virou-se:

- Está ali o André também...

As crushes são fofas vistas de fora, quando não somos nós. Quando é o estômago de outra pessoa a sentir as borboletas, quando são as bochechas dos outros a ficarem coradas.

- Vai, fala com o rapaz, fala com a Rita se não fores assim tão corajosa, não te preocupes, arrisca!

Carolina saiu e eu consegui finalmente vê-los.

Mateus fixava-me com um sorriso e dirigia-se a mim.

De braços abertos.

Holy heaven!

A última vez que nos abraçamos, que curiosamente foi também a única, foi ontem, depois do meu ataque de raiva.

Os abraços dele não eram desconfortáveis nem estranhos, mas dadas as circunstâncias em que o último aconteceu, tornava-se um pouquinho.

Até porque à primeira vista Mateus não parecia ser o tipo de rapaz que chega e abraça. 

Aliás, ele apenas o fazia comigo.

Holy Heaven!

Os seus braços enrolaram-se à volta da minha cintura, fazendo o espaço entre nós desaparecer. Agradeço-lhe por fazê-lo, algures após o seu toque eu tropecei, em algo, não sei o quê! Provavelmente os meus próprios pés...

Os meus braços acabaram enrolados à volta do seu pescoço e a minha cara ''enterrada'' no ombro. Ele cheirava a desodorizante masculino e a lavanda. O calor humano que irradiava do seu corpo deixava o meu prestes a entrar em combustão. Tinha um formigueiro a precorrer toda a minha pele e um sorriso aparecia nos meus lábios,

não totalmente contra a minha vontade...

Levanto a cabeça do ombro de Mateus para reparar que mesmo atrás de nós está Marta, Júlia e ''ele''.

O ''ele'' era ele.

Era o Afonso.

Era o meu ex-namorado.

 

****

 

A minha imaginação não está muito boa... Estou a precisar de umas férias nas Caraíbas...

Querem acompanhar-me?! xd

Até amanhã! <3