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Vamos atirar uma bomba ao destino

Não somos de nos contentar com o que o destino reserva para nós. Sonhamos alto e frequentemente caminhamos fora da estrada.

Laura Palmer - Capítulo 18

 

C A P Í T U L O  1 8

Mateus POV

Laura olhava para o rapaz.

O rapaz olhava para Laura.

Mas por muito bom que eu fosse a ler expressões faciais, e eu não era, eles também não deixavam escapar muito. Olhavam um para o outro, sérios.

Precisamos de sair daqui!

- Vamos, ou?? - quase gritei, a minha voz a sair mais irritada do que eu gostaria.

Eles começaram a encaminhar-se para a saída do corredor, riam e conversavam, visivelmente animados. Ninguém tinha reparado na reação de Laura, felizmente...

Já Laura parecia não reparar em nós, infelizmente...

- Anda... - sussurrei, colocando o braço por cima dos seus ombros.

Laura vinha, mas até ao fundo do corredor, os seus olhos fixavam o rapaz desconhecido.

E quando me apercebi, estava a acontecer outra vez.

Ela tremia, muito. A sua respiração estava demasiado acelarada.

Não!

- Não, não não... - disse segurando-lhe as duas mãos. Ela não olhava para mim. - Calma! Respira...

Laura tentava respirar compassadamente. As suas mãos agarravam as minhas com demasiada força. Ela fixava o chão. Não estava a resultar.

Não...

- Anda, vamos lá para fora...

Saímos. Ela afastou-se. Contava, mas parecía-me tudo igual. 

Tudo pior, na verdade.

- Laura, por favor...

- não...

O seu não foi fraco, quase inaudivél, mas seguro, apesar de ser bem precetivel a forma como a sua voz tremina, como todo o seu corpo, aliás... Estava à beira das lágimas.

Mas agora ela não era a única que tremia...

- Queres... queres que vá embora?

Queria abraça-la de novo, poder sossegá-la, evitar que o que aconteceu ontem se repetisse. Mas ela mantinha a sua distância... E queria respeitar essa distância, mas também tinha uma vontade enorme de a quebrar.

Laura fixava o chão, com dificuldade em respirar, eu olhava, pouco certo daquilo que estava a sentir...

- Não. - ela disse finalmente.

Mas a sua resposta não me deixou completamente feliz, porque com ela, vieram as suas lágrimas.

De novo.

Pelo segundo dia consecutivo.

O que faço?

Aproximei-me, lentamente, pouco seguro do que devia fazer.

Mas foi Laura, que, desta vez, procurou os meu braços.

Chorou, durante algum tempo, e depois, de repente, saíu do abraço, muito decidida, muito atarantada:

- Tenho que te dizer uma coisa-

- Não! - interrompi - Não, por hoje já chega! Já-

- Mas, é muito importan-

- Não Laura, não te vou deixar falar! Vais ter de me ouvir! Já é a segunda vez que isto acontece, era assim tão frequente antes?

Ela olhava-me séria, com os olhos semi-cerrados. Estava muito provavelmente a pensar numa forma de me matar por me estar a armar em figura paternal. 

- Não... - ela acabou por responder - Eu... Uh... Tive uns problemas o último ano e tornei-me um pouco ansiosa nestas coisas... - houve outra longa pausa, onde os seus olhos fugiam dos meus - Vai ficar tudo bem em breve... É... É provavelmente do stress...

Olhou-me com um pequeno sorriso.

''Tive uns problemas. Tornei-me ansiosa.'' As suas palavras ecoavam na minha mente. Provavelmente algo grave, para a deixar com medo de pessoas...

- Estou aqui! - Laura olhou-me com um ar confuso. Ri da sua expressão, muito fofa! - Se algum dia, a alguma hora precisares de algo, estou aqui!

***

- Hey! Hey, malta, onde estão a Laura e o Mateus! - perguntou Val, que os procurava em todos os locais que o seu campo de visão lhe permitia ver.

- Ah, deixa Val! Aqueles dois são soulmates e já não podem viver um sem o outro! Eles não se perdem! - foi a resposta de Lourenço, que desencadeou uma onda de gargalhadas e uuuh's

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Sorry it's late again! Fui a outro jantar ontem e já cheguei tarde, aquela gente gosta muito da minha companhia! 

Mentira, é só para tomar conta das crianças!