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Vamos atirar uma bomba ao destino

Não somos de nos contentar com o que o destino reserva para nós. Sonhamos alto e frequentemente caminhamos fora da estrada.

Laura Palmer - Capítulo 24

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L A U R A   P A L M E R  

Capítulo 24

 

Acordei com Val a gritar-me aos ouvidos que já era tarde:

- Estás tão perguiçosa Laura, AAAANDA! - ela gritava enquanto tentava puxar os meus lençóis.

Não me mexi, apenas soltei uns sons de protesto.

- Oh por favor! Eu vou dar um banho gelado a está rapariga! - ouvi as gargalhadas de Rita, mas Val deixou os lençóis e não voltou a gritar.

Pelos passos, alguém se afastava. Ouvi a porta abrir-se. Ela não ía mesmo buscar a água, ía?!

- Laura, está aqui o Mateus para falar contigo. - Val gritou.

Os meus olhos abriram num instante e Rita, que estava mesmo à minha frente, começou a rir.

- AAAAAH pois, da próxima vez vou logo chamar o Mateus! - ela abanava a cabeça, em sinal de reprovação, mas sorria - Pff, depois ainda diz que não, ''Só amigos!'' - gozou.

Todas as tentativas para tentar manter uma poker-face falharam, tinha um sorriso parvo no rosto.

- Vocês são tão más... Estava a ter um sonho tão giro...

- Aah, era com o Mateus! - Os olhos de Rita brilhavam muito.

- Ai não, deixem lá o rapaz em paz. Estava a sonhar que estava de férias e que não precisava de acordar cedo e que estava no Netfix a fazer uma maratona de filmes.

- Pois, olha, se te conseguires despachar em 10 minutos muito bem, se não podes começar já a ligar o pc!

* * * *

História é uma disciplina muito interessante, mas hard to do quando tens um Mateus ao teu lado e uma Valentina e um Lourenço à tua frente.

Adorava conseguir prestar atenção ao que o professor Martim está a explicar sobre a Revolução Liberal, porque é um período muito interessante, mas hard to do quando tens tantos olhares dirigidos a ti...

Basicamente, o que me lembro da aula: D. Miguel mentiu, D. Pedro não quer nada, cede tudo aos filhos, temos teste daqui a duas semanas.

- Não se esqueçam que têm o primeiro teste de hoje a duas semanas. - Alguem bateu à porta, ouviu-se a voz forte do professor Martim a autorizar a entrada. Era o senhor Xavier, vinha chamar-me, iam ligar aos meus pais.

O meu coração batia acelerado enquanto esperava que me chamassem. Ía ter de contar aos meus pais sobre o Miguel, quer quisesse, quer não; quer isso me levasse para longe daqui, quer não; quer isso me afastasse de Mateus, quer não... Era um assunto demasiado sério para esconder.

O diretor saiu, sorria, perecia calmo:

- Laura, já falei com a tua mãe, contei-lhe a versão que deste à enfermeira Paula, ela quer falar contigo. Como está o teu braço?

- Bem, obrigada, não é nada de mais.

- Ótimo, tem cuidado!

O diretor parecia-me uma daquelas pessoas que não queriam realmente saber de nada, mas podia estar enganada...

- Sim, mãe?!

- LAURA, Laura, como estás? Estás bem? Está tudo bem? O que é que aconteceu? 

Como eu previra...

- Mãe está tudo bem!

- Não pode estar tudo bem! O que é que aconteceu?

- Suponho que estejas a perguntar isso por causa so meu braço...

- Pois claro que estou a perguntar isso por causa do teu braço, por que mais havería de ser Laura!

- Ouve, está tudo bem com o meu braço, foi só um pequeno encontrão contra um caixote do lixo, nada de mais, sabes que sou desastrada-

- Laura, disseram-me que foi um rapaz que foi contigo à enfermaria-

- Mãe, deixa-me exp-

- Laura, tu sabes o que aconteceu da última vez, Laura não-

- MÃE! Posso falar?

Ela suspirou.

- Diz.

- O Miguel está cá.

Durante dois segundos nada se ouviu, após isso a vós dela mal se ouvia:

- O quê?

Sentia aquelas palavras queimarem-me os pulmões, provavelmente o mesmo que lhe estava a acontecer a ela. 

Contei-lhe o que estava a acontecer com o Miguel porque ela me pressionou a fazê-lo, porque ela percebeu que há muito tempo que as coisas não estavam bem. Lembro-me que naquela noite chorou comigo e na manhã seguinte começou a preparar as coisas para nos mudar-mos.

- Laura, tu vens para casa.

- Imaginei que dissesses isso... Mãe... eu... não quero ir...

- Mas... Mas Laura... Laura, o Miguel está aí! Não... Não podes ficar no mesmo sítio que ele, é perigoso... - a sua voz tremia, podia apostar que estava a beira das lágrimas.

- Eu fiz amigos aqui. Fiz bons amigos, eles... eles sabem, eles não me deixam sozinha, mãe... Deixa-me ficar...

- No próximo fim-de-semana vens para casa, Laura.

- Mas, mãe...

- Não se fala mais nisso! Liga se precisares de alguma coisa e... e tem cuidado. Tchau.

- Tchau.

Não podia chorar. Não ia chorar. Não ia.

Mateus esperava-me à porta da cabine telefónica, só, uma expressão ansiosa deixava o seu maxilar tenso. 

- Ficas?

Não falei, limitando-me a acenar negativamente e olhando para qualquer outro ponto que não fosse Mateus. Durante alguns segundos nenhum de nós falou.

- Ouve... - ele começou.

Não podia.

- Tenho de ir contar-lhes.

 

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Eu publiquei um capítulo novo! Vamos fazer uma festa?! VAMOS! 

Tornou-se, de facto, um acontecimento raro... I am sorry! Mas estamos em Christmas break por isso (vou forçar-me para tal) os updates vão (re)começar a ser mais frequentes.

Ótimo fim-de-semana!