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Vamos atirar uma bomba ao destino

Não somos de nos contentar com o que o destino reserva para nós. Sonhamos alto e frequentemente caminhamos fora da estrada.

Misogyny Speech

O discurso anti-misógino que Julia Gillard deu a 8 de outubro de 2012 tornou-se um fenómeno global que captou a atenção do mundo, que vervilhou de raiva.

Julia Gillard foi a primeira mulher a ser eleita Primeira Ministra na Austrália e durante a sua carreira foi implacavelmente intimidada por políticos sexistas que consideravam que, sendo ela mulher, era incapaz de liderar.

Até que, um dia, Julia Gillard explodiu. 

O resultado foi o ''Misogyny Speech'', um discurso de quinze minutos considerado um dos pontos mais altos da história da política australiana onde Gillard se recusa a ouvir um ''sermão'' do líder da oposição, Tony Abbott, ele próprio um sexista e misógino, relativamente a esse tema.

O dicurso completo podem le-lo aqui, em inglês. Deixo-vos os primeiros três minutos, traduzido (dei o meu melhor! xd).

Muito obrigada porta-voz/vice-presidente(?) e eu oponho-me a proposta do líder da oposição. E ao fazê-lo eu digo ao líder da oposição que eu não vou ser repreendida sobre sexismo e misóginia por este homem. Nem hoje, nem nunca.

O líder da oposição diz que as pessoas que têm opiniões sexistas e que são misóginas não são apropriadas para altos cargos(?). Bem, eu espero que o líder da oposição tenha uma folha de papel e esteja a escrever a sua carta de demissão. Porque se ele quiser saber com o que é que a misoginia se parece na Austrália moderna, ele não precisa de um requerimento na Câmara dos Deputados, ele precisa de um espelho. É disso que ele precisa.

Vamos ver o duplo ponto de vista repulsivo que o líder da oposição, o duplo ponto de vista quando toca a misoginia e sexismo. Não é suposto levarmos a sério o facto do líder da oposição que disse, isto quando ele era ministro no último governo - não quando era estudante, não quando estava no secundário - quando era ministro ao serviço do último governo.

Ele disse, e passo a citar, numa discussão sobre as mulheres terem uma representação deficitária em instituições de poder na Austrália, o entrevistador era um homem chamado Stavros. O líder da oposição disse ''Se for verdade, Stavros, que os homens têm no geral mais poder que as mulheres, isso é uma coisa má?''

A discussão continua, e outra pessoa diz ''Eu quero que a minha filha tenha tantas oportunidades como o meu filho.'' Ao que o líder da oposição responde ''Sim, concordo completamente, mas e se os homens são psicologicamente e temperamentalmente  mais adaptados para exercer autoridade ou para tomar o comando?''

Numa outra discussão sobre o papel das mulheres na sociedade moderna, e outra pessoa a participar na discussão diz ''Eu acho que é muito difícil negar que existe uma representação deficitária das mulheres,'' ao que o líder da oposição responde, ''Mas agora, existe a suposição que isso é uma coisa má.''

Este é o homem de quem é suposto nós levarmos sermão sobre sexismo. E claro que há mais. Fiquei pessoalmente muito ofendida quando o líder da oposição disse, e cito, ''Aborto é a saída fácil.'' Fiquei pessoalmente muito ofendida por esse comentário. Disse isso em Março de 2004, sugiro que dê uma vista de olhos.

Também fiquei bastante ofendida em nome das mulheres da Austrália quando, no curso da sua campanha dos preços do carbono(?), o líder da oposição disse ''O que as donas de casa da Austrália precisam de perceber enquanto passam a roupa...'' Obrigado por esse retrato do papel das mulheres na Austrália moderna.

...

 

Julia tornou-se um ícone na Austrália e no mundo devido a este discurso. Estudantes memorizaram-no e gritavam-no pelas ruas e Hillary Clinton fez questão de conhecer Julia Gillard.

Pessoalmente, considero icónico!