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Vamos atirar uma bomba ao destino

Não somos de nos contentar com o que o destino reserva para nós. Sonhamos alto e frequentemente caminhamos fora da estrada.

Pensar alto

"Pensa alto", dizia ontem um colega meu quando conversávamos sobre as possíveis carreiras profissionais que queriamos seguir.

"Pensa do tamanho que quiseres" pensava eu, uma pessoa que se força a pensar alto, porque é o mais seguro, mas continua a viver no mundo dos unicórnios e arco-íris!

Nós os jovens temos a perfeita noção de que é importante apostarmos numa carreira que nos proporcione um futuro estável, mas também consideramos que escolher uma carreira de que gostamos é sempre uma mais valia. O problema aqui é só um: nós crescemos mentalizados de que não há trabalho e de que a economia, não só nacional mas também a internacional, está numa montanha russa... que só desce! 

Então, e porque pais são pais, ouvimos constantemente coisas do tipo ''Artes? Artes não te garantem o futuro!'', ''Jéssica, tu atenta nas notas, olha a média, olha o teu futuro...'', ''Vais fazer exame a isto em vez daquilo? Olha tu vê lá, vê lá se isso não te atrapalha!'' 

Tenho a sorte de ter pais que não querem a toda a força que eu siga uma determinada carreira (e agradeço profundamente), mas, e se calhar estou a ser picuinhas, estar constantemente a lembrar-me que o meu futuro está muito restringido não ajuda!

Eu sei, eu sei muito bem que estou condenada, grande parte de nós sabe! Crescemos a ouvir falar de crises financeiras, e ainda que não nos tenham afetado diretamente, muitos de nós sentimos as diferenças, aprendemos desde crianças que cinco euros a mais ou a menos pode fazer muita diferença e que o mercado de trabalho é manhoso, que, no nosso país, nem os cursos com mais saída têm emprego! Crescemos mentalizados que vamos acabar desempregados e quanto mais vamos, menos a emigração é uma hipótese.

E não é só o panorama económico que afeta o nosso futuro. Crescemos a ouvir falar de guerras no Médio Oriente e em muitos outros locais e ultimamente têm-se agravado e alastrado a todos os países. Imaginem a situação dos jovens árabes. Os seus países não lhes podem proporcionar a educação a que eles têm direto, a Europa e os Estados Unidos vêm-nos como uma ameaça. E fecham-se fronteiras, e restringe-se a imigração. Por causa do raio dos estériótipos! ''A História repete-se'' dizia a minha professora de História há alguns meses. A História está a repetir-se. Sabem aquele presidente cujo motto de campanha é um dos slogans do KKK? Aquele que quer proibir a entrada de árabes no país contra a vontade de grande parte da população (e ainda tem o descaramento de dizer que não é racista) e que não sabe que há uma lei que obriga os países a receber refugiados de guerra? Não soa familiar? Nós, principalmente, vamos sofrer com isso. 

Como é que querem que sejamos otimistas em relação ao futuro?

Sim, ele está nas nossas mãos, mas enquanto ele cá não chega, nós estamos a ver os adultos fazer asneira da grossa e arruinar tudo, pouco a pouco. A política, a economia estão desacreditadas, quem vai ser o louco que vai enveredar por esses caminhos?

Os que pensam alto.

Eu penso alto, mas ás vezes penso que penso demasiado alto.

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