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Vamos atirar uma bomba ao destino

Não somos de nos contentar com o que o destino reserva para nós. Sonhamos alto e frequentemente caminhamos fora da estrada.

Confissões de uma adolescente #1

A adolescência é um tempo conflituoso. É equilibrar simultaneamente aquela ânsia de crescer e o desejo de voltar atrás sem nunca o fazer. É estarmos presos numa fase intermédia entre adultos e crianças. É ter que lidar com este nosso dilema de não encaixarmos em lado nenhum… de sermos tudo ao mesmo tempo sem ainda sequer saber quem somos..
 
Benedita Mendonça 

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Amor é tópico quente todos os dias na vida de um adolescente. Não há como lhe escapar. Eu que o diga! Há dias que tira mesmo o dia para me chatear.

Já me apaixonei (ahn, crush) por rapazes muito diferentes e tive uma altura em que estava indecisa entre dois - as típicas dores de cabeça na adolescência.

Como decidir entre um e outro?  Um o bonitinho e certinho, o outro o rufia charmoso. Foi um dilema, não queria decidir gostava dos dois, o que faltava a um o outro tinha. Porquê escolher? Até que, depois de refletir - sabem aqueles momentos em que nos isolados do mundo no nosso quarto de auriculares colocados com a música bem alta - tudo começou a fazer sentido. Podia gostar dos dois sem qualquer problema, eles não sabiam e não iria namorar com nenhum deles. Mas (olha não vir este atrapalhar tudo), por mais que o tentasse evitar, a necessidade de escolher insistia em marcar presença no meu dia-a-dia, de uma maneira ou de outra.

Um ano letivo acabou e outro começou e alguém tinha feito a escolha por mim, talvez mais uma vez obra do destino. O rufia charmoso saíra da escola e nunca mais o vira.

Brilhante! Estava resolvido o meu problema, pensei.

Foi então que uma voz gritou dentro da minha cabeça e me projetou para o presente: "OH RAPARIGUINHA, AINDA HÁ O BONITINHO CERTINHO." 

Ainda está na mesma escola que eu e continuo a vê-lo todos os dias, mais vezes do que queria. A rapariga de dois amores agora só tem um.

O que realmente me irrita é ter-me conquistado completamente com um mover de olhos, uma simples gargalhada libertada pelo corredor enquanto, provavelmente, tentava chegar ao meu cacifo, tentando evitar aqueles casais que não sabem o que é um quarto! 

Depois de todos estes anos a remar contra a maré por ter medo de sofrer, de errar, apercebo-me que a única maneira de lutar contra o amor não é lutar, é render-me a ele. Vou cometer erros a minha vida inteira, mas o tempo nunca será tão perfeito para o fazer como agora.

 Concluindo...Preciso mesmo de comer chocolate.

 

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Referências: 

Texto: http://visao.sapo.pt/opiniao/bolsa-de-especialistas/2016-02-09-O-amor

Imagens: http://24.media.tumblr.com/tumblr_ls5xdqQ5GL1r2tbdyo1_500.jpg;  https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/564x/26/9d/4e/269d4e64a4fefe29ce9ad4b9122b3aba.jpg

 

 

 

Medo de crescer.

Todos nós já passamos por aquele momento em que o simples mencionar da palavra ''futuro'' nos dá volta ao estômago. Pensar que começamos a definir a nossa vida agora e que todas a nossas escolhas vão ter consequências daqui a uns anos é o suficiente para criar um nó na garganta. Temos vontade de nos enrolar num cobertor e ficar muito quietos no nosso quarto à espera que, com um pouco de sorte, ninguém se lembre que temos responsabilidades e obrigações.

Recentemente (e provavelmente porque o meu aniversário está próximo), tenho-me sentido frequentemente assombrada por esta angústia e numa conversa com a Mariana (porque ela está mais ansiosa pelo meu aniversario do que eu) apercebi-me que essa angustia tinha nome: medo de crescer.

Grande parte de nós tem vontade de ir para a universidade por várias razões, por exemplo, não ter de ouvir a mãe dizer todos os dias a mesma coisa "Caem-te as mãos se fizeres a cama?", ou para poder-mos ver as nossas séries preferidas o tempo que nos apetecer, ou porque depois podemos comer o que queremos, quando queremos sem ter de ouvir raspanete, mas ao mesmo  temos um medo imenso de que essa altura chegue porque 1) ''eu não faço a mínima ideia do que quero fazer no futuro" e 2) ''o que é que é suposto fazer para pagar contas mesmo?"

São pequenas coisas que nos atormentam mas que representam apenas uma pequena parte do nosso ''sofrimento''.

À medida que nos tornamos adultos apercebemo-nos de coisas estranhas no relacionamento entre as pessoas que nunca nos tínhamos apercebido enquanto crianças e acabamos por nos dar conta que não vivemos no País das Maravilhas e que a vida é um grande jogo de interesses onde quem vence nem sempre é aquele que faz tudo certo, nem o que tira sempre boas notas, nem o que diz sempre a verdade.

E por estas razões, temos visões apocalípticas do nosso futuro infeliz, sozinhos, num emprego que não gostamos e achamos que não há maneira de isso NÃO acontecer. Mas se recuarmos um pouco para quando éramos crianças e estávamos no 2º ano e víamos o nosso irmão mais velho ou a nossa prima fazer os trabalhos de casa e eles tinham textos com muitas letras e faziam contas com x, nós também achávamos que nunca iríamos conseguir fazer tal coisa, e hoje fazemos contas com letras!

Devemos pensar no nosso futuro, prever vários cenários, fazer vários planos, mas não devemos deixar que as nossas inseguranças nos limitem e nos impeçam de chegar onde queremos.

As nossas dúvidas são traidoras

e fazem-nos perder o que, com frequência,

poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar.

           - William Shakespear

Despedida.

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 Deixa ir embora. Seja o que for que estiver em causa. 

Deixa ir, para além da eternidade. 

Deixa ir embora. 

Deixa ir tudo. Cada vínculo, cada partícula. Deixa partir. 

Diz adeus. Diz adeus. 

Vemo-ns mais tarde, lá em cima. 

O tempo não existe, encontramo-nos já a seguir. 

O espaço não existe, já nos vemos. 

Deixa ir embora. 

Deixa soltar. 

Deixa voltar a nascer. 

Para voltar a crescer. 

Deixa ir, devagar, para o céu. 

Devagar, como toca o clarinete. 

Devagar, como pulsa o coração. 

Devagar...mais devagar...mais devagar...mais devagar...

 

Despedida. Quem nunca teve de se despedir? Quem nunca teve de deixar ir, mesmo sem querer?

Eu já! Tive de o fazer com 16 anos. Tive de dizer adeus, até uma próxima vida a quem mais amava e amo todos os dias com a mesma intensidade. Afinal como se pode dizer adeus a alguém tão especial, que me ouvia, abraçava, protegia, ensinava, me AMAVA com todas as forças? Não foi fácil dizer até já, mas tive de o fazer para poder continuar a viver, a crescer. Por ela. 

Senti a despedida como uma facada no coração vinda de Deus, por um castigo de um crime ou aberração que tivera cometido e não me lembrava. Custou-me a desinfetar o golpe que ainda não sarou totalmente, espero que ainda se feche um dia.. 

Das semanas de profundo sofrimento lembro-me como se fosse hoje e já lá vão oito meses. A incerteza do amanhã, não saber se ía correr tudo bem, de como seria dali para a frente. Medo, muito medo e a pergunta do " porquê a mim, a nós?" que ainda não desapareceu.Mas vai ficando cada vez mais longe, mais longe do meu pensamento.

Em suma, seja qual for a nossa dor não devemos ter medo de a viver, chorando, gritando, rezando, etc. No entanto, não finjam estar tudo bem e muito menos terem uma armadura porque quando as feridas dos outros estiver a cicatrizar a nossa ainda nem foi desinfetada. Isso não é ser forte, é ter medo de viver! Não façam o mesmo que eu fiz!   

Um dia...contarei melhor o que me fez desistir de uns sonhos (o que eu tinha como prioridades) e lutar por outros. Mas por agora é tudo. 

© Mi

 

 

  

Referências:

Excerto: SOLNADO, Alexandra - Despedida. In «mais LUZ». 1ª edição, junho: Editora Pergaminho SA. Amadora, 2008. 978-972-711-842-7. 125. 

Imagem:  https://secure.static.tumblr.com/61c751b48c94b810f69cd51d97dac66e/pkttnt8/BRonrg1p0/tumblr_static_filename_640_v2.jpg

 

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