Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vamos atirar uma bomba ao destino

Não somos de nos contentar com o que o destino reserva para nós. Sonhamos alto e frequentemente caminhamos fora da estrada.

Cocaína e salto alto: "Rainha do Sul"

 

Hoje trago-vos uma série pela qual me apaixonei desde o primeiro episódio: Rainha do Sul. Baseada no best-seller internacional (La Reina del Sur) do escritor mundialmente aclamado Arturo Pérez-Reverte, e que já fora adaptado à televisão no formato novela. A nova produção emitida pela Fox Life, narra a história de Teresa Mendoza e da sua ascensão a rainha do maior império de narcotráfico do hemisfério oeste.

A série, que é protagonizada pela atriz brasileira Alice Braga – sobrinha da famosa Sônia Braga – e conta com o português Joaquim de Almeida no elenco principal, acompanha o percurso de uma mulher que é forçada a fugir e procurar refúgio na América, depois do seu namorado, um traficante de droga, ter sido assassinado no México. No processo, Teresa junta-se a uma personalidade improvável do seu passado para derrubar o líder da rede de tráfico que a pôs em fuga. Entretanto, ela vai aprender as ferramentas necessárias para se safar neste mundo da droga enquanto ascende a líder do cartel.

Em conversa com a USA Network, emissora da série nos E.U.A., Alice Braga falou sobre a sua personagem: “Adoro a personagem. Li o livro há oito anos e apaixonei-me pela Teresa Mendoza, por isso foi interessante ter a oportunidade de representar alguém tão forte e poderosa, e que nunca se vitimiza.

Costumo dizer que os heróis não são vítimas, e ela é a heroína na sua vida. É a heroína na sua própria viagem”, continuou. “O objetivo não é ganhar dinheiro, esse nunca foi o seu desejo. É por essa razão que ela se torna uma líder diferente no cartel de droga”, explicou. “Ela é violenta apenas quando é necessário. Se fores uma ameaça, ataco-te. Se não me ameaçares, nunca te magoarei.

A série é muito mais do que narcotráfico. É a história de uma mulher que contra todas as expectativas constrói um império a partir do nada, num mundo intransigente inteiramente dominado por homens.

Com atores excelentes e cenas extraordinariamente naturalistas, Rainha do Sul não te vai deixar indiferente. Vais sentir um “prazer culpado”!

 

 

ONDE VER:

Fox Life - quintas-feiras às 22:20h (segunda temporada)

Assistir Video

Popcorn Time

 

 

 

Misogyny Speech

O discurso anti-misógino que Julia Gillard deu a 8 de outubro de 2012 tornou-se um fenómeno global que captou a atenção do mundo, que vervilhou de raiva.

Julia Gillard foi a primeira mulher a ser eleita Primeira Ministra na Austrália e durante a sua carreira foi implacavelmente intimidada por políticos sexistas que consideravam que, sendo ela mulher, era incapaz de liderar.

Até que, um dia, Julia Gillard explodiu. 

O resultado foi o ''Misogyny Speech'', um discurso de quinze minutos considerado um dos pontos mais altos da história da política australiana onde Gillard se recusa a ouvir um ''sermão'' do líder da oposição, Tony Abbott, ele próprio um sexista e misógino, relativamente a esse tema.

O dicurso completo podem le-lo aqui, em inglês. Deixo-vos os primeiros três minutos, traduzido (dei o meu melhor! xd).

Muito obrigada porta-voz/vice-presidente(?) e eu oponho-me a proposta do líder da oposição. E ao fazê-lo eu digo ao líder da oposição que eu não vou ser repreendida sobre sexismo e misóginia por este homem. Nem hoje, nem nunca.

O líder da oposição diz que as pessoas que têm opiniões sexistas e que são misóginas não são apropriadas para altos cargos(?). Bem, eu espero que o líder da oposição tenha uma folha de papel e esteja a escrever a sua carta de demissão. Porque se ele quiser saber com o que é que a misoginia se parece na Austrália moderna, ele não precisa de um requerimento na Câmara dos Deputados, ele precisa de um espelho. É disso que ele precisa.

Vamos ver o duplo ponto de vista repulsivo que o líder da oposição, o duplo ponto de vista quando toca a misoginia e sexismo. Não é suposto levarmos a sério o facto do líder da oposição que disse, isto quando ele era ministro no último governo - não quando era estudante, não quando estava no secundário - quando era ministro ao serviço do último governo.

Ele disse, e passo a citar, numa discussão sobre as mulheres terem uma representação deficitária em instituições de poder na Austrália, o entrevistador era um homem chamado Stavros. O líder da oposição disse ''Se for verdade, Stavros, que os homens têm no geral mais poder que as mulheres, isso é uma coisa má?''

A discussão continua, e outra pessoa diz ''Eu quero que a minha filha tenha tantas oportunidades como o meu filho.'' Ao que o líder da oposição responde ''Sim, concordo completamente, mas e se os homens são psicologicamente e temperamentalmente  mais adaptados para exercer autoridade ou para tomar o comando?''

Numa outra discussão sobre o papel das mulheres na sociedade moderna, e outra pessoa a participar na discussão diz ''Eu acho que é muito difícil negar que existe uma representação deficitária das mulheres,'' ao que o líder da oposição responde, ''Mas agora, existe a suposição que isso é uma coisa má.''

Este é o homem de quem é suposto nós levarmos sermão sobre sexismo. E claro que há mais. Fiquei pessoalmente muito ofendida quando o líder da oposição disse, e cito, ''Aborto é a saída fácil.'' Fiquei pessoalmente muito ofendida por esse comentário. Disse isso em Março de 2004, sugiro que dê uma vista de olhos.

Também fiquei bastante ofendida em nome das mulheres da Austrália quando, no curso da sua campanha dos preços do carbono(?), o líder da oposição disse ''O que as donas de casa da Austrália precisam de perceber enquanto passam a roupa...'' Obrigado por esse retrato do papel das mulheres na Austrália moderna.

...

 

Julia tornou-se um ícone na Austrália e no mundo devido a este discurso. Estudantes memorizaram-no e gritavam-no pelas ruas e Hillary Clinton fez questão de conhecer Julia Gillard.

Pessoalmente, considero icónico! 

Isto é para as mulheres

Acho que as pessoas não dão importância suficiente ao dia da mulher.

Acho que as pessoas não dão importância suficiente às mulheres.

Talvez seja um bocadinho suspeita para falar: sou feminista ferrenha! Sou mais feminista do que sou benfiquista, sou mais feminista do que sou eu mesma, por vezes.

Mas talvez seja mesmo a pessoa ótima para falar, afinal de contas sou feminista ferrenha e cresci rodeada de mulheres a quem nunca foi dado o devido valor. 

Não me apercebia disso quando era mais nova. Cresci com pessoas a mentalizarem-me de que as mulheres é que têm de fazer o trabalho doméstico, por que é esse o seu dever; que os homens é que são os chefes de família, por que é esse o seu dever; que um dia eu tinha de casar e dedicar-me inteiramente ao meu marido, porque é esse o meu dever; que não podia responder-lhe ou opor-me a ele, porque ele era o meu marido, e eu tinha de o amar independentemente do que receberia em troca, porque era esse o meu dever.

Deveres, deveres, deveres, mas ninguém nunca me disse que eu também tinha direitos.

Tenho o direito de dizer não: não, não quero depender de um homem. 

Tenho direito a ter uma vida própria.

As mulheres não vivem para os homens.

As mulheres não devem nada aos homens.

As mulheres são seres humanos, como os homens.

Então porque não somos tratadas da mesma forma? Porque é que somos de tal forma inferiorizadas, que não somos nada sem um homem?

Por eu ter um par de mamas e uma vagina em vez de um pénis, eu sou menos inteligente, mais fraca, e tenho menos valor?

NÃO!

Mas estou a divagar. Estou a deixar as minhas limitações intrometerem-se naquilo que vos quero dizer.

Disse que cresci rodeada de mulheres a quem nunca foi dado o devido valor. Homens que têm autênticas joias de diamantes em casa, e não valorizam. Mulheres que fazem TUDO em casa e NUNCA se queixam. E no entanto, ouvem-se discussões a toda a hora, e todos sabem que não há amor. Porque cresceram mentalizadas que esse era o seu dever.

Admiro estas mulheres, porque nunca o conseguiria fazer.

Mas este não é o lado mais obscuro da vida das mulheres.

Violência. Mulheres que sofrem de violência doméstica e não dizem nada, porque muitas consideram que isso faz parte do casamento; mulheres que sofrem de violência doméstica, os vizinhos sabem, mas ninguém diz nada até uma desgraça acontecer porque ''nunca imaginei que ele a matasse.'' É VIOLÊNCIA!

Em 2015, 82,85% das vítimas que recorreram à APAV eram mulheres. De todos os crimes sexuais reportados, em 82,1% as vítimas eram mulheres.

Na Guatemala, morrem em média duas mulheres por dia.

Na Austrália, Canadá, África do Sul e Estados Unidos, entre 40% e 70% das mulheres vítimas de homicídio foram mortas pelo/a companheiro/a.

A nível mundial, mais de 50% das violações são cometidas contra raparigas com menos de 16 anos.

Entre 40% e 50% das mulheres nos países da União Europeia experienciaram avanços sexuais, contacto físico ou outras formas de assédio sexual indesejados no trabalho.

A nível mundial, aproximadamente 130 milhões de raparigas e mulheres sofreram de mutilação genital, mais de 3 milhões de raparigas africanas correm, todos os anos, risco de sofrerem esta prática.

No dia de São Valentim, na nossa escola, mandaram-se cartas, distribuíram-se bolachas, fizeram-se cartazes e as enfermeiras distribuíram preservativos. Para o dia da mulher, convidaram-nos a vestir uma peça de roupa cor-de-rosa. 

Acho que as pessoas não dão importância suficiente às mulheres.

Nunca deram importância suficiente às mulheres.

A minha obrigação não é ter filhos, a minha obrigação é mudar isto.

A minha obrigação é dar às mulheres os direitos que elas ainda não têm.

Obrigada às mulheres que lutaram, morreram, foram violadas e desonradas para eu ter direito à educação, para eu poder dar a minha opinião.

 

Eu sou uma mulher. Percebi o significado de ser uma mulher e fiz disso a minha maior arma.

Livrem-se de me dizer que eu não posso porque eu sou uma mulher!

 

Isto não é um post contra os homens.

Isto é um post para as mulheres!